Sou uma mãe e esposa convencional, porém, em 2001 tentei fazer um bolo Floresta Negra para o meu marido, tentando apenas montar o bolo, encomendando algumas partes do bolo, para eu montar e poder dizer a ele que eu que fiz...
Que decepção!!
Na padaria, encomendei o pandeló, o chantilly batido, comprei as cerejas e o chocolate para raspar.
Bom...primeiro que o bolo ficou mais torto que a torre de pizza!!!
Mas como tratava-se do meu marido, dei o bolo a ele, muito feliz por ter feito o meu primeiro bolo para ele!
Consumimos o bolo, daí veio a decepção...apesar de eu apenas ter montado o bolo, não tinha gosto de nada! H O R R I V E L . O pior bolo que comi na minha vida!
Fiquei arrasada e desde então decidi aprender a fazer bolos, principalmente o Floresta Negra (paixão do meu marido).
Encarei vários cursos caros e intensivos.
Logo no primeiro curso intensivo, fui elogiada pela culinarista famosa, devido a facilidade que ela percebeu em eu assimilar fácil o que era ensinado e fazer montagens como profissional (ela não tinha visto meu bolo da torre de pizza!! rsrsrs)
Dá para acreditar que não ensinou a fazer o Floresta Negra???
Grudei nela e contei minha fatídica história e que eu não poderia sair de lá sem saber fazer o bolo amado por meu marido.
Ela riu de minha história, mas não me ensinou a faze-lo, mas explicou como fazer!!
Uhuuu!!!
Fiz o bolo em casa e ficou F A N T A S T I C O ! ! !
Meu primeiro bolo RETO e DELICIOSO!
Depois disto, peguei gosto pela coisa e comecei a fazer bolos para amigos, principalmente para os filhos deles.
Logo me vi atendendo escolinhas infantis, depois buffets e até padarias pequenas de bairro.
Saí da empresa maravilhosa que eu trabalhava (Natura Cosméticos) e me dediquei a este universo dos bolos.
O sucesso foi tanto, que eu não tinha mais tempo nem para dormir de tanta encomenda que eu tinha.
As vezes, eu ia dormir às 03:00h da manhã e acordava às 06:00h. para continuar, pois o cansaço excessivo, faz a gente errar.
Tentei encontrar pessoas para parceira, mas era difícil encontrar alguém que entendesse e seguisse a risca, minhas exigências de higiene.
Durante a confecção dos bolos, eu exigia que o local ficava fechado, não permitia que ninguém conversasse sem usar mascara, os cabelos presos por touca e lavar as mãos frequentemente a cada etapa do trabalho.
Um dia cheguei em casa e minha assistente tinha anotado errado as encomendas do Buffet (inverteu os dias) e tinha uma marca de polegar sujo de brigadeiro na porta da geladeira...
Cheguei a um ponto, onde eu precisava ampliar e abrir minha própria doceria. Mas fiquei em pânico! Como montar uma doceria, se eu não conseguia pessoas qualificadas para me ajudar?
Paralelo a isto, meu filho com 5 anos de idade (em 2005), estava dando muito trabalho na escola e descobri pela psicóloga, que apesar de eu estar em casa, ele sentia minha falta, pois nunca conseguia ver a mãe.
Meu coração de mãe falou mais alto e deixei de lado a paixão dos bolos, para cuidar do meu bem maior: o meu filho!
Voltei para o mercado convencional de trabalho, abandonando literalmente minhas clientes que ficaram em pânico, mas entenderam minha necessidade de mãe, pois a maioria delas também era mãe.
Só que elas haviam acostumado com o brilho nos olhos dos pequenos quando chegava o bolo na festa e os comentários após o consumo quanto a qualidade de sabor dos bolos...
Sou confeiteira profissional? Não! Sou apaixonada em agradar as pessoas, pois minha verdadeira paixão é gente! Por isto que meus bolos sempre faziam sucesso!
Em cada um deles, eu imaginava os olhinhos felizes dos pequenos e isto, não tem preço!